segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Direito a memória ou Dever a memória? Eis a questão.

Este foi um dos questionamentos levantados pela professora Ana Dietrich, no evento denominado “Salvaguarda do direito a memória e identidade cultural” da feira de Diversidade Cultural, realizado 21 de novembro de 2013, no campus alpha da Universidade Federal do ABC em São Bernardo do Campo.
A professora iniciou questionando o que deveria ser conservado, e o que não deveria ser preservado em termo de memória e patrimônio?

O patrimônio cultural de um povo é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a sua identidade da cultura.

Contudo quando vai se constituir a memória de um grupo ou lugar, ocorre uma batalha entre as memórias.
A professora mencionou as memórias acerca de Tiradentes que são fortes na cidade de Ouro Preto, mas que segundo ela, ocorre o esquecimento das memórias quilombolas, por exemplo. Nessa disputa de memórias e patrimônio, sempre há uma memória ou algumas memórias que se tornam hegemônicas.

A professora mencionou também o que ocorreu depois do holocausto nazista. ela disse que enquanto houveram movimentos que tentaram apagar este acontecimento, muitos historiadores consideram um dever lembrar-se dos fatos ocorridos no nazismo. Porque foram atrocidades tão grandes que aconteceram, que devem ser lembradas para que as próximas gerações saibam o que aconteceu e assim estejam mais protegidas do que ela chamou de "fantasmas do negacionismo".
Tem-se no Brasil, um conflito de ideias semelhantes, no que diz respeito as memórias da ditadura militar.

Ela também ressaltou o conceito de patrimônio. Porque geralmente pensamos em monumentos. Mas o conceito de patrimônio é bem mais amplo, diz respeito a um conjunto de signos (práticas, valores, e sensações  do individuo...) que o levam ao sentimento de pertencimento. O patrimônio está portanto, intimamente ligado a identidade. Logo é essencial a participação da população nesta discussão.
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Por muito tempo o que era considerado patrimônio, passava por uma avaliação puramente estética. Hoje, ela diz que é uma questão bem mais problemática, porque nem tudo que é belo é um patrimônio. Outra coisa ressaltada, foi que não necessariamente precisa ser monumental, ou um museu, ou somente coisas ligadas ao passado, pode estar fortemente relacionado as problemáticas do presente.

A professora Ana, disse que o projeto Memória dos Paladares, seria uma abordagem de um patrimônio imaterial, vinculado a cultura dos paladares.








Postado por
: Lucas Camilio, discente do Bacharelado de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do ABC e pesquisador
do Projeto de Extensão Memória dos Paladares.